quarta-feira, 16 de abril de 2014

Henrique lembrou-se do que Átila lhe dissera certa vez. Quando um brasileiro chega pela primeira vez em Budapeste, ele se converte a uma nova religião. Ele deixa de ser católico, por exemplo, e vira budapestélico, converte em si através da cidade uma perspectiva de salvação pelo erro de estar ali vendo aquele rio imaculado recebê-lo como vítima ou assassino. Uma cidade que é duas, três ao mesmo tempo, deixa um brasileiro perdido na sedução redentora que ela oferece.

terça-feira, 3 de setembro de 2013


A Avenida Ráckózi é minotauresca pelo que representa, não por ser um labirinto – o que na verdade não é, pois se trata de uma avenida reta com duas saídas bem claras nas extremidades. A Ráckózi devora quem a atravessa à noite, bêbado, imaginando os hinos que saem das casas em volta, como barrancos em torno do rio. 

Rio Ráckózi. Para um estrangeiro que caminha sozinho ali pela primeira vez, a melhor maneira de entender a avenida é comparando-a a um rio, e seguir o fluxo. Uns dirão que o fluxo mais natural é o que vai dar no Danúbio, na Ponte Erzsébet. Outros dirão que não importa o lado que se segue, o importante é não entrar nas ruelas afluentes, como a Rua Vas, pois são lares de monstros pré-históricos, ou de monstros pós-modernos, ligados a um presente que nunca teve passado e nem futuro terá. A Ráckózi é o verdadeiro perigo pestino. A Ráckózi devora, e não cansa e nem se cansa nunca.

domingo, 1 de setembro de 2013

Mesmo que alguém divida Budapeste em pedaços iguais, não se terá certeza de como tantos pedaços podem fazer tão mal a um amante desiludido. Budapeste não é a mesma de ontem. Ela se divide em várias. Há a Budapeste em que se pode ser feliz num dos lados da cama; há a Budapeste que é apenas partida.